A Etimologia Testando ^^
A Etimologia, um estudo que encanta Miguel Barbosa do Rosário
(UFRJ e UNESA) RESUMO A investigação do mundo das palavras é um
exercício sobremaneira prazeroso. Ela requer, no entanto, por parte
do investigador, o conhecimento das regras de mudança sonora, que
lhe permitirão perceber os vínculos formais e semânticos das palavras,
no curso de sua evolução histórica. Para a exemplificação dos fenômenos,
examina-se o conto de J. Guimarães Rosa, o Famigerado. Palavras-chave:
etimologia; metaplasmos; gramática histórica Quando nos deparamos
com uma palavra desconhecida, quer na escrita, quer na fala, ocorre-nos,
de imediato, o desejo de saber o seu significado. É natural querermos
saber o sentido daquela palavra que nos pareceu estranha. Freqüentemente,
o contexto em que a mesma foi usada costuma esclarecer seu sentido.
De fato, como afirma Mauricio Gnerre, em seu notável livro, Linguagem,
escrita e pode (GNERRE, M. 2001, p. 19): “as palavras não têm realidade
fora da produção lingüística; as palavras existem nas situações
nas quais são usadas.” Elas, as palavras estão armazenadas, guardadas
em nossa mente. É o que Carlos Mioto et alii, em seu Manual de Sintaxe
(MIOTO, C. 2000, p. 84), chamam de léxico mental. Mioto et alii,
em seu Manual, abordam a língua sob a perspectiva da gramática gerativa.
Como se sabe, a hipótese gerativista é a de que o ser humano vem
dotado geneticamente para o aprendizado de qualquer língua. Para
o domínio desta ou daquela língua, basta que a criança ative a dotação
genética que recebeu ao nascer. Ninguém precisa ensinar-lhe a falar;
ela, de forma natural, com o passar dos anos, em convívio, primeiramente
com seus familiares, posteriormente com seus amigos, desenvolverá
sua capacidade de expressão oral. Aos quatro, cinco anos, elá terá
internalizado as regras gramaticais de sua língua, as quais são
processadas de forma inconsciente; essas regras ficam armazenadas
em seu cérebro. Condições sociais e econômicas, relações familiares,
escolas de boa ou má qualidade permitirão a essa criança a potencialização
de seu desempenho lingüístico. Nesse sentido, pois, a criança já
vem marcada socialmente, desde o seu nascimento, quanto a esse seu
desempenho lingüístico. Alguns conseguem romper esse ferrolho, esse
bloqueio. É que a “linguagem”, no entender de Mauricio Gnerre (GNERRE,
M. 2001, p. 22), “constitui o arame farpado mais poderoso para bloquear
o acesso ao poder.” Independentemente de ser ou não fluente em sua
própria língua nativa, independentemente de ter ou não domínio da
modalidade culta da mesma, o falante não tem consciência explícita
de sua língua. É o que nos diz Waldemar Ferreira Netto (FERREIRA
NETTO, W. 2001, p. 26), em Introdução à fonologia da língua portuguesa:
Ora, os falantes não pensam rotineiramente sobre sua própria língua,
eles apenas a usam. É oportuno lembrar, continua o autor, que Bakhtin
chamou a atenção para o fato de que o falante não tem consciência
da materialidade do sistema. A língua materna é formada só de idéias,
só de emoções, pois segundo ele “não são palavras que pronunciamos
ou escutamos, mas verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes
ou triviais, agradáveis ou desagradáveis”. Esse mesmo raciocínio
desenvolve Mário A. Perini em Gramática Descritiva do Português
(PERINI, M. A. 2001, p. 52/53): Deve-se entender a gramática como
um conjunto de instruções que o falante da língua domina implicitamente
- ele sabe muito bem pô-las em ação, ao julgar a boa ou má formação
de uma frase ou de uma palavra. Mas isso não quer dizer que ele
tenha consciência dessas instruções, não mais do que tem consciência
dos processos de sua digestão ou circulação. É um mecanismo que
ele põe em funcionamento de maneira automática. De fato, passa despercebido
do falante o uso que o mesmo faz da língua. Somente quando se debruça
sobre as formas usadas é que o estudioso se depara com a riqueza
incomensurável que é o falar humano, quer no nível sonoro, lexical,
sintático, semântico. Notaram que empreguei o termo incomensurável?
No processo de elaboração de minhas reflexões sobre a temática proposta,
surgiu o termo incomensurável. Sabemos o que significa, mas, muitas
vezes, não nos contentamos apenas com o significado, queremos ir
além, queremos buscar aquilo que, conforme veremos, ao longo deste
trabalho, Guimarães Rosa chamou de caroço, o sentido intrínseco
da palavra, o verivérbio. Examinemos, pois, incomensurável. Para
quem tem o domínio da modalidade culta da língua, não é difícil
perceber os elementos constitutivos da mesma, a saber, o radical
mensur, que aparece, no verbo mensurar, a vogal temática a, o sufixo
formador de adjetivos -vel, e os prefixos in- e co-. Em termos do
português atual, paramos por aqui. Não é possível continuar a separação
dos elementos, a não ser que se queira voltar no tempo. Se se fizer
essa volta no tempo, verificar-se-á que mensurar provém do verbo
latino mensurare, que significa medir, que mensurare, por sua vez,
se prende a mensura, medida, que mensura é originário de metiri
“medir”, cujo particípio passado é mensus. Além de mensurar, mensura,
há, ainda, em português, a forma mesura, originária também de mensura.Marcadores: Acadêmico, criação, design, Etimologia, marcadores, pessoal
Postado Por: Náh às 07:31
1 Comments
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Náh said...
Eu estou escrevendo aqui apenas para testar esses MALDITOS comentários, este blog está muito difícil de ser editado ^^
24 de agosto de 2009 às 07:48
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